sexta-feira, 8 de maio de 2009

ACORDAR

Abro os olhos, renitente,
acordo de um sono pesado
que cansa mais que repousa
e pinta de escuro o mundo.

Um novo dia começa, ou o velho não acabou?

Uma parte de mim quer abrir-se
ao novo dia que nasce,
outra recusa e recolhe
ao aconchego do silêncio.

Não me suporto o peso e a pele parece que dói.

Sinto o corpo a decidir,
como se vida própria tivesse,
que o dia que desponta não passa
de mais um passo vazio.

Há dias que mal começam,
começam mal.


Março 2007

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